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Trilha de Salkantay – Nosso Primeiro dia.

Em junho de 2015 resolvemos nos aventurar em nossa primeira trilha com acampamento. É normal que milhões de dúvidas surjam enquanto você programa essa viagem, “o que levar?” “como vou dormir?” “como vou ao banheiro?”, mas calma isso aconteceu com a gente também e vamos tentar te ajudar compartilhando aqui o que achamos e vivenciamos por lá. De cara já aviso a todos, se a Carol sobreviveu à trilha você também vai sobreviver. A trilha não é tão assustadora quanto parece, basta você tomar alguns cuidados que vai correr tudo bem. Vamos tentar passar todas as dicas que foram essenciais para completar os 5 dias que passamos por lá e descrever essa aventura dia a dia, até chegar ao nosso objetivo final, a maravilha de Machu Picchu.

Nós consideramos Salkantay uma trilha de moderada para difícil mas isso depende muito do condicionamento físico de cada um, não tivemos muito tempo para nos preparar e isso acabou influenciando bastante. Alguns fatores você não consegue escapar durante a subida, principalmente no segundo dia de trilha que é o dia que você mais sobe, o fato de ter pouco oxigênio e um frio intenso acabaram influenciando e muito no nosso desempenho durante a subida, isso por que não temos este clima por aqui (e no nosso caso temos um agravante, pois moramos no nordeste no nível do mar), mas relaxa, dá para completar a trilha sim, só que ela não é das mais fáceis. Para vocês terem noção o nosso grupo era composto por pessoas de todas as idades e todos no seu ritmo conseguiram finalizar, tinha até uma avó que com seus 70 e poucos anos completou o trajeto melhor que o neto de 18.


O ideal é ficar uns dias em Cusco para se aclimatar.


Começamos informando para quem for se programar para fazer a trilha de Salkantay ou a Trilha Inca, o ideal é ficar alguns dias em Cusco para se aclimatar e no dia anterior a trilha o ideal é não ingerir bebida alcoólica, não comer nada muito pesado e dormir bem durante a noite, estes são elementos fundamentais para você evitar o tão famoso “Soroche” ou traduzindo “mal da altitude”. Lembre-se  que nessa trilha você sai da altitude de 3.400m e chega aos 4.600m já no segundo dia de caminhada.

 

1°dia.

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Acordamos super cedo, o sol ainda não tinha nascido e o pessoal da agência chegou para nos buscar no hotel que estávamos hospedados em Cusco para seguir até o ponto de partida para a trilha em Mollepata. Nosso grupo era formado por 12 pessoas e todas eram de um canto diferente do mundo. Como era um grupo relativamente grande, então foram necessários 2 guias, além de cozinheiros e carregadores.

Uma dica para quem não fala inglês é reforçar na agência uma reservar na trilha para um grupo com brasileiros, ou um que falem espanhol, caso contrário você vai ficar 5 dias boiando na batatinha sem conseguir conversar com ninguém, só na mímica mesmo.

A agência que escolhemos foi a NC Travel Cusco mas como não haviam pessoas suficientes para sair em grupo, fomos realocados para o pessoal da agência Inca Trail também recomendamos, os guias foram ótimos e super atenciosos.

Seguimos viagem até então de ônibus e fomos até a primeira parada para tomar um café da manhã, que não está incluso no pacote, e na sequência seguimos até o ponto onde deixamos nossas coisas com os carregadores para daí sim começarmos a trilha a pé até o primeiro acampamento.  É importante carregar na mochila somente o necessário, assim você evita levar peso à toa. Recomendamos levar água, um lanchinho leve além da máquina fotográfica, CLARO, para registrar tudo.

Esse primeiro trecho é bem tranquilo, subimos muito na hora em que começamos mas logo depois as coisas já ficam mais fáceis. Aproveite para tirar muitas fotos pois as paisagens neste ponto são lindas, e bem diferentes das que vai ver ao longo dos outros dias. Fizemos uma pequena parada para um lanche rápido e comprar umas balinhas de coca (elas podem te ajudar ao longo do percurso) e seguimos até o primeiro acampamento onde o almoço já nos esperava.

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Logo depois do almoço aproveite para dar uma descansada, pois a segunda parte da trilha é opcional, porém na nossa opinião você não pode perder. Depois do descanso nós seguimos para a segunda parte do dia que é bem mais difícil, saímos do acampamento (3900m) montanha acima e fomos até a Laguna Sagrada de Umantay (4.250m).  Para chegar até ela é só subida e ela parece não ter mais fim, são 350m de uma subida bastante íngrime que pode te fazer passar mal, portanto siga o seu ritmo e faça algumas paradas, nós mesmos fizemos  várias para tentar recuperar o fôlego e chegar até o topo. Como o ar é rarefeito por conta da altitude, tudo se torna muito mais cansativo, mas no final valeu a pena todo o esforço, chegamos em uma lagoa de cor esverdeada com  uma montanha (Umantay) nevada ao fundo, um cenário de filme. Dá uma conferida nas fotos abaixo do que te espera por lá.

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A volta é mais tranquila por ser só descida mas tenham cuidado com duas coisas, uma é não ficar por muito tempo na Laguna, pois você pode pegar a volta no escuro e precisará de uma lanterna e outra é não se  empolgar e descer muito rápido, isso pode fazer você passar mal. Vai descendo com calma e fazendo algumas paradas. Tivemos uma amiga de grupo que subiu e desceu muito rápido e na empolgação ainda mergulhou nas águas congelantes da lagoa, quando começou a descida até o acampamento começou a passar mal e quase teve que voltar logo no primeiro dia de trilha, todo mundo tentou ajudar mas a única solução para o “soroche” é descer a uma altitude onde o corpo esteja acostumado. Então por melhor que seja seu condicionamento físico, vá com cautela, pois nosso corpo ainda está se acostumando.

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Seguir seu ritmo é a melhor dica para essa trilha.


Assim que retornamos ao acampamento o jantar já estava pronto, preciso abrir um parênteses aqui (QUE JANTAR!!!) o pessoal que nos acompanha durante toda a trilha para cozinhar faz milagres, todos os dias comemos pratos deliciosos (até guacamole teve!) dignos de bons restaurantes de capitais brasileiras. Para quem acha que não vai comer bem durante a trilha está muito enganado, vai tranquilo, com fé e se joga pois a barriga não vai ficar na miséria. Se tiver alguma restrição é só avisar com antecedência na agência que eles reservam um menu especial para você. Assim que comemos fomos descansar para o tão temido segundo dia de trilha, que é considerado o mais difícil de todos os cinco dias. No post do segundo dia você vai entender o porquê disso.

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Neste dia você pega a noite mais fria de toda a trilha, esteja preparado!


Apenas para lembrar da informação mais importante desse primeiro dia de trilha é que essa é a noite mais fria de todo o acampamento então não vai esquecer de colocar na mala roupas específicas para te esquentar durante a noite, leve até roupas de neve se tiver (nós mesmos levamos). A temperatura pode chegar a -10C e mesmo com barraca protegida por um abrigo e saco de dormir, que aguentam temperaturas muito mais baixas, você pode passar frio. Estar com a roupa adequada pode fazer toda a diferença nessa viagem e essa noite de sono é muito importante.

Nesse dia caminhamos em média 16km.

 


 

Locais: Saímos de Mollepata e Chegamos em Soraypampa. Visitamos a Laguna Sagrada de Umantay

Alimentação: Nesse primeiro dia o café da manhã não está incluído no passeio, só o almoço e jantar. Importante levar alguns snacks para comer ao longo do dia. Chocolates, frutas e castanhas são sempre uma boa pedida para trilhas, além da água lógico.

Roupa: O ideal é usar roupas confortáveis para a caminhada e um bom tênis ou bota para trilha. Na mochila leve só o essencial para o dia e não precisar levar peso a toa. Não esqueçam do boné, óculos de sol, protetor solar e labial, repelente e um casaco.

Caminhada: 16km em média

Hospedagem: Dormimos em barracas protegidas por um abrigo de palha, que corta o vento e ajuda a proteger do frio, que nesse dia a temperatura chega a ser negativa durante a noite.

Estrutura: Nessa primeira parada possui banheiros, porém são um pouco afastados das barracas e a água só gelada, então banho nesse dia fica impossível. Os banheiros são separados para homens e mulheres.

Higiene pessoal: Cada um tem que levar o seu papel higiênico. O ideal é levar também lenços umedecidos, álcool em gel para as mãos e talco para os tênis.

 

 

2 Responses

  1. Olá pessoal!!
    primeiramente parabéns pelo blog, sensacional suas dicas
    As construções incas são conhecidas por estar sempre em harmonia com a natureza e com a paisagem que as rodeiam. Assim que, qual a melhor maneira de chegar a construção mais icônica e famosa dessa cultura, do que uma trilha que lhe deixará entrar em contato com a natureza que fez parte da mesma? O Peru conta com as trilhas mais bonitas de toda a América Latina, tendo a Trilha Inca a número 1 e a Trilha Salkantay a número 2
    recomendo muito fazer uma das trilhas

    1. Oi Ricardo, tudo bem?
      Se a Trilha inca for mais bonita que a de Salkantay, temos que voltar urgente! kkkkk Ficamos deslumbrados com a beleza de cada dia de trilha, e muito obrigado pela dica, vamos anotar aqui.

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